Eu só queria que o J.# nunca acabasse.
Só queria que quando o meu mundo cai, o resto do mundo não se desmoronasse também.
Só queria viver nestas quatro paredes do meu quarto.
Que me dessem tabaco, livros e séries, comida, água, uma banheira e uma sanita. E mesmo assim, dispensava a sanita desde que a janela abrisse.
E também um milhão de comprimidos que me fizessem dormir horas seguidas. E um rádio.
Só queria que não vissem coisas que não existem: a pele pouco saudável, o corpo que emagrece, as refeições que se reduzem. E que não tirem conclusões precipitadas: a droga.
Só queria, mãe, que percebesses que a única coisa que se passa é que o meu amor me deixou, que isso me faz infeliz.
Porque tenho 16 anos e nem tudo são drogas e vícios.
Na verdade, quase tudo é paixão, ilusão e desilusão.
E eu apaixonei-me, desiludi-me, e agora não consigo dormir, e agora ando com má cara, não tenho fome nem vontade de falar.
Desculpa-me se te preocupo, e assim eu desculpo-te por pensares essas coisas de mim.
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