15/06/2011

what about J?

So...

O J. foi-se.
Ele deixou-me três vezes, depois de me deixar, de me deixar, de me deixar.
E depois eu deixei-o, depois de ele me deixar e me levar a jantar e me beijar.
Sabia que ficaria vazia, sempre soube que sem ele não era tanto quanto com ele.
Sempre foi mentira que estar só é melhor que estar acompanhada, mas nunca tropecei no engano de cair nessa mentira.
Sempre soube que acompanhada sabe melhor viver, sabe melhor rir, caminhar, conhecer, explorar.
E a sua companhia... a sua companhia era a minha preferida. porque viver, rir, caminhar, conhecer e explorar com ele (por vezes ele mesmo) era poder fazer tudo isso de mãos dadas, com beijos roubados, beijos oferecidos, beijos discretos, beijos excitados, com a alegria, com o brilho no olhar que só os apaixonados sabem ter.
A sua companhia deixava-me de rastos, completamente rendida ao seu encanto, os olhos azuis, as costas largas, o sorriso tão perfeito. Ainda sei que assim o é, mas sei também que não me soube proteger, não se soube comportar, não soube fazer justiça aos 21 - quase 22 - anos que tem em cima, e é assim que se perde uma miudinha, uma adolescente que dava tudo por si, absolutamente tudo, é assim que se perde alguém.
Isso ele sabe fazer - oh se sabe!
E durante uns tempos pensei que fosse morrer: as noites eram longas, os dias para além de longos eram terríveis, porque a minha mente cansada da noite passada de luz acesa se vingava enquanto o sol brilhava no céu. Nada chamou a minha atenção durante imenso tempo. NADA. Tudo eram paredes de luto, e sentia-me a renascer um pouco cada vez que elas me faziam rir, cada vez que me sentia um nadinha mais feliz. E ainda assim, mesmo assim a rir, era triste porque ele não me podia roubar um beijo daquele sorriso.
Mas o tempo vai curando, a ferida vai sarando, e ainda que tenha ficado cá dentro como só podia ficar - porque foste o homem da minha vida - começa a ser só uma recordação, umas poucas memórias aqui bem guardadas, e a sua página está a pouco de ser virada.
E os meus livros nunca se folheiam para trás.

Amo-te, e um dia destes, quem sabe amanhã, já só te amei.

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