Fazer amor contigo outra vez foi diferente. Não foi como ir à lua e voltar, porque eu quis fazer amor e tu quiseste fazer sexo, eu quis carinho e tu quiseste prazer, eu quis harmonia e tu quiseste orgasmos.
E talvez, ao contrário do que costuma acontecer, o nosso problema seja o sexo, ou tudo seja explicado com esse exemplo. Se calhar, como somos no sexo, somos na vida em geral.
Eu quero isto e tu queres aquilo.
E às vezes, quem sabe, esse não será o segredo para a magia que tínhamos. Mas deixou de ser.
Pela primeira vez, ironia do destino, a tua casa esteve vazia e nós estamos separados.
Ainda assim, estreámos a tua cama. Prefiro a minha. Prefiro o meu ninho, o meu lugar, as roupas perdidas no meu chão e o meu tecto a cobrir-nos. Prefiro os raios de sol a entrar pela minha janela grande, prefiro o meu quarto sem televisão, e a minha estante cheia de livros em vez da tua quase vazia.
Mas a verdade é que, fosse em que quarto fosse, tu serias o mesmo e eu a mesma.
Tu à procura do prazer, e eu à procura de qualquer coisa, qualquer réstia de sintonia entre nós, e se fossemos uma música tu estavas a procurar o ritmo e eu a letra, e se fossemos um filme eras só a imagem e eu as palavras, e se fossemos dois jovens separados recentemente que deram por si sozinhos numa casa, tu serias aquele que se descuidou de novo, que agiu mal, porque mesmo depois de, quando me perguntaste, se queria "mais depressa", te respondi "Só quero fazer amor contigo", tu foste mais depressa e não me beijaste. Tu não te enrolaste em mim, não sorriste, tu só disseste "amo-te" e nada mais.
"Amo-te"? O amor não se faz assim.
Assim faz-se o sexo.
Só tenho pena que assim seja. Só quero fugir, chorar, só quero esquecer tudo.
"I wish I have missed the first time that we kissed, because you broke all your promises"
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