Quando a noite acaba, entro no modo seguinte: o da cabeça perdida, os ouvidos a zumbir, os pés muito sensíveis e os olhos cansados. Quando a noite acaba, dava tudo por uma cerveja fresca mas um casaco quente, e se possível um croissant com chocolate ou torradas. Quando a noite acaba, só me quero sentar e sento-me no chão. Melhor é entrar no táxi e saber que não vou pagar; melhor é quando finalmente me encontro entre lençóis. Ao adormecer, lembro-me sempre dele. De como o amo - na verdade, quando estou bêbada gosto de contar isso a toda a gente, parece-me que até a mim própria - e do quão feliz ele me faz todos os dias; as saudades que tenho e tudo o que dava para o ter ali comigo, e poder adormecer nos braços dele, enroscados um no outro.
Quando a manhã começa, desejo sempre que dure mais um bocado. Penso sempre que devia ter bebido menos e devia ter-me sentado algumas vezes, para o meu corpo não estar naquele estado de decadência. Pergunto-me sempre se beijei a loira, mas só cheguei à conclusão que sim uma vez. Quero sempre comer, mas quando finalmente tenho a comida, perco a fome. A minha boca está seca e tenho sede. Quando a manhã começa, desejo que o sol se volte a pôr e fiquei lá em baixo mais dois pares de horas, e, se não se importar, mais algumas.
Mas enquanto vivo a noite é tudo perfeito: há o som e as luzes e algum álcool e há, acima de tudo, a amizade. A cumplicidade. Mais que as hormonas aos saltos, as horas seguidas sempre a mexer o corpo, mais que o copo na mão e o gelo no decote, mais que aqueles que se vêm roçar, que tocam demais, que acabam por desaparecer, mais que tudo, há a amizade. E isso, como o resto, faz valer bem a pena o modo seguinte.
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