18/01/2011

J. #15

Tenho a leve sensação de que vou morrer.
Absorvi tantos momentos quanto pude, e tenho esses pedaços de nós para recordar durante estes dias.
São recordações perfeitas. Tento encher o meu corpo de memórias, mas não chega. Quero encher o meu corpo de ti, corpo e alma. Quero sentir o teu cheiro, morder os teus lábios, deixar-me cair no teu corpo e olhar-te nos olhos para ter a certeza que estás, que estás mesmo.
Cada vez que oiço aquela música que cantaste no carro e noutro dia enquanto caminhava encostada aos teus lábios, oiço a tua voz por trás daquela que é, na realidade, a que a canta. Preferia que fosse a tua, só a tua, preferia ter uns minutos teus a todas as músicas que enchem a memória do meu mp3. Preferia-te a ti ao próprio mp3 e a tudo.
Faz-me tão feliz saber que te estás a divertir aí. Faz-me tão feliz saber que estás a aproveitar. Faz-me tão feliz saber que estás a viver.
Quando o teu avião levantou voo, olhei para o céu. Nada. Mais tarde, passou um. Olhei para cima, com a estúpida mas sincera esperança de que aquele fosse o teu avião e que me pudesses ver a procurar-te ou que, pelo menos, estavas a olhar pela janela e a olhar exactamente para o lugar onde eu estava. Claro que não. Ainda assim, acreditei.


Tenho a leve sensação de que não vou morrer, porque tu vais voltar.

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