Descobri, finalmente!, o blog do FR.
É fantástico ler as coisas dele. Descobre-se tanto. Descobre-se uma vida inteira com palavras que se postam na net para que, quem vier e tiver paciência - ou curiosidade, como uns e outros como eu - nos dispa e saiba de tudo.
O meu blog está no sigilo dos deuses mas não o dele, o dele qualquer pessoa pode ler porque ele não esconde que o tem. 10-0 para o FR.
O título é plagiado, o título é dele.
talvez não devesse fazer isto , mas queira ou não, vou fazer publicidade, porque gostando dele ou não (e até é simpático) acho que os textos dele merecem publicidade. E por os ter lido sinto-me quase obrigada a tê-los em conta amanhã, e depois, e depois, porque não me vou fartar de o seguir, cá no meu canto, sem deixar rasto, sempre discreta, e que se lixe que ele, com isto, me esteja a dar 20-0.
E de volta ao título, o que é a morte?
Na verdade, eu preferia, ao contrário dele, saber responder à pergunta em vez de lhe dar um rumo oposto e falar da vida e, perseguindo-a, do seu fim. Até porque, para início de conversa, eu não considero a morte um "triste fim". E a pergunta "Porque vivemos? Faz sentido?" Para mim, a vida faz todo o sentido. Na verdade, nada faz tanto sentido, já que a vida é o sentido da nossa existência. Estamos aqui para ocupar espaço, para consumir, poluir, dar pontapés na economia, estamos aqui para ser felizes ou infelizes, fazemos diferença à nossa volta, fazemos diferença por onde passamos, fazemos diferença e faz diferença cada gesto. Nós estamos aqui e o sentido disso não é fazer história. Quem não gostava de fazer história, ser grande, ser gigante, quem não gostava de ser um ícone? Quem faz história aparece nos grandes livros e nós, estudantes, estudamos esses durante gerações. Sinceramente, quem faz história teve uma boa vida mas é uma chatice para mim, agora. A história que os outros fizeram é um fardo do caraças.
Segundo o meu primo de oito anos, a morte é uma estrela brilhante no céu.
Segundo a minha mãe, a morte é a nossa energia transformada noutra coisa qualquer que não gente. Talvez vento, talvez ondas.
Segundo o Zé, é um estado a seguir. E quem sabe mais?
Segundo a Mag é uma coisa escura e sinistra como aquelas figuras do Harry Potter.
Concordo com ele quando diz que uma vida longa não é sinónimo de completa nem uma vida curta é sinónimo de incompleta. Eu sinto-me quase completa, o que me falta já a coisa escura e sinistra do Harry Potter levou, já se encontra num estado a seguir à vida, já é ondas ou vento ou, a minha teoria preferida, é uma estrela brilhante no céu. E tretas à parte, a morte é muito mais que uma definição. Mas, tretas filosóficas à parte, todos temos algo a dizer sobre isso.
E, para mim, a morte é sim uma estrela brilhante no céu, meu anjo pequenino. A morte é um sítio seguro onde se ganha um bocadinho mais de poder sobre a vida dos que amamos e então cuidamos.
Nunca vi ninguém que não se queixe da vida. Eu própria, e quase tenho vergonha de o dizer, já me queixei da vida. Não é que a minha felicidade resida na tristeza dos outros, mas sinto tantas vezes que vivo nas nuvens.
Raros são os momentos em que me sinto sete palmos abaixo da terra. Sinto-me quase sempre nove metros acima das estrelas. E quem se queixa da vida todos os dias dá-me cabo do juízo. Quem não gosta da vida que leva que se mova, que aja, e, ainda que o espaço de manobra seja estreito, que se chegue para lá um bocadinho, porque na mente não há paredes, o estreito não existe. E, como é sabido por todos, é na mente que tudo começa.
Não o devia ter criticado por ter fugido ao assunto, também eu fugi para muito mais longe.
Algo é certo: a morte não é o triste fim. Poderá ser, na pior das hipóteses, lenços e anti-depressivos na vida daqueles em que o morto fez história.
Mas a morte não é o triste fim nem a vida é um sem-sentido.
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