Às vezes podias calar-te um bocado. Adoro em ti que nunca te canses de dizer mais qualquer coisa. Que seja a vida lá no sítio, o amigo de meio mundo, o não-sei-quê-do-plástico que a tua mãe te chama. Adoro a tua energia, o teu ninguém me pára nunca, adoro o teu sorriso fresco e perfeito.
Mas às vezes, podias calar-te um bocado. É que há, como em todas as moedas e quase tudo na vida - não querendo arriscar dizer tudo - o lado mau disso em ti.
É que às vezes, parece que estás de tal forma descosido que até aquilo que devia ficar... se vai.
E tu sabes àquilo a que me refiro, quem sabe se não saberás até que situação mais me magoou.
É que quando formos casados e souberes tudo o que ando a fazer pela casa e pelo emprego e pelas ruas e aquilo que cozinho e a forma como durmo e souberes que às vezes, quando estou muito, muito cansada não lavo os dentes antes de me deitar ou às vezes, de manhã, basta estar com um bocadinho mais de pressa, não me penteio e disso nem quero saber; quando souberes isto tudo, não quero que todos os outros saibam também.
Está bem?
Amo-te.

Sem comentários:
Enviar um comentário
be nice